Castro-Verde
5 de Junho 2016 10h

Construtores de Paisagem: Acompanhando Uma Jornada de Trabalho de Um Pastor do Campo Branco

COLABORAÇÃO: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Parque Natural do Vale do Guadiana)

APOIO: Câmara Municipal de Castro Verde; Associação de Agricultores do Campo Branco

“O desaparecimento de uma cultura pode ser tanto ou mais grave do que o desaparecimento de uma espécie animal ou vegetal. A imposição de um estilo hegemónico de vida ligado a um modo de produção pode ser tão nocivo como a alteração dos ecossistemas.” (Laudato Si’, 145)

Descobrir os segredos dos antigos moirais de ovelhas da zona de Castro Verde, eis o mote desta acção. Os grandes rebanhos da zona da Serra da Estrela e de outros pontos da Meseta Central Ibérica vinham, desde épocas remotas, invernar no Campo de Ourique. Mesmo quando deixaram de ser realizados os movimentos longos de transumância, perduraram, até há breves décadas, as dinâmicas de deslocação dos gados entre o Campo Branco e os terrenos mais férteis de pastagem da charneca (Odemira, Santiago do Cacém, Sines), no Inverno, e para os “barros” (Beja, Ferreira), no Verão.

Nesses tempos, os caminhos eram de terra, não existiam as aramadas – vedações – e os rebanhos circulavam quase livremente, muitas vezes em conflito com os donos das herdades vizinhas. A vida era dura, tal como descreveu Carlos Júlio (Campaniço, n.º 78, 2008): “Levavam a copa em cima de um burro, dormiam ao relento enrolados apenas numa manta ou, mais tarde, tapados por plásticos. Comiam sopas de toucinho e de poejo, no Inverno. Vinagradas, no Verão.”

Hoje são muito raros os pastores que ainda passam largas temporadas no campo, a actividade adaptou-se à evolução social, mas não deixa de integrar os ensinamentos do passado, ainda bem presentes na paisagem do Campo Branco. Aos participantes nesta iniciativa, será dada a oportunidade de acompanhar uma jornada de trabalho de um moiral (“maioral”), um pastor sénior do Campo Branco.