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17 de Abril 2016 10h

Hospedaria de Peregrinos: A Lagoa dos Patos, Ilha de Biodiversidade no Oceano Olivícola

COLABORAÇÃO: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha)

APOIO: Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo

“As estradas, os novos cultivos, as reservas, as barragens e outras construções vão tomando posse dos habitats e, por vezes, fragmentam-nos de tal maneira que as populações de animais já não podem migrar nem mover-se livremente, pelo que algumas espécies correm o risco de extinção.” (Laudato Si’, 35)

Embora conhecida como Lagoa dos Patos, esta zona húmida, na fronteira dos concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito, é composta, de facto, por duas albufeiras, resultantes de dois açudes, destinados a acumular água para abastecer os arrozais situados a sul e oeste destas. Não são albufeiras de grandes dimensões, mas podem aqui ser observadas, durante o Inverno, notáveis concentrações de aves aquáticas, sobretudo patos (em alguns anos, das maiores concentrações do Baixo Alentejo).

Para além das lagoas, os arrozais adjacentes atraem também outras aves aquáticas como, por exemplo, limícolas. O elenco mostra-se extenso e inclui espécies aquáticas como a marrequinha, o pato-real, o pato-trombeteiro, o pato-de-bico-vermelho, o mergulhão-pequeno, o mergulhão-de-crista, o corvo-marinho-de-faces-brancas, a garça-branca-pequena, a garça-real, o colhereiro, o flamingo, o frango-d’água, o galeirão-comum, o pernilongo, a perdiz-do-mar, a narceja-maçarico-das-rochas, o guincho-comum, a gaivota-d’asa-escura e o guarda-rios.

Esta actividade visa caracterizar a diversidade primaveril de aves da Lagoa dos Patos, relacionando-a com as características muito próprias de um local tão singular. Procurar-se-á ainda identificar práticas de gestão favoráveis à biodiversidade num contexto de agricultura intensiva dos blocos de rega beneficiados pela albufeira de Alqueva.