serpa
22 de Maio 2016 10h

No Coração do Parque Natural do Vale do Guadiana: A Serra de Serpa, o Microclima de Limas e o Acidente Geológico do Pulo do Lobo

COLABORAÇÃO: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Parque Natural do Vale do Guadiana)

APOIO: Câmara Municipal de Serpa; LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia

“Alguns países fizeram progressos na conservação eficaz de certos lugares e áreas – na terra e nos oceanos –, proibindo aí a intervenção humana que possa modificar a sua fisionomia ou alterar a sua constituição original.” (Laudato Si’, 37)

O Guadiana ganha outro vigor ao atingir o Pulo do Lobo. Aqui, inicia a escavação do seu leito primitivo e forma uma garganta escarpada de 20 m de altura que acompanha o curso fluvial até à proximidade de Mértola. Precipitando-se num turbilhão de cerca de 16 m de altura sobre o pego do Sável, molda os quartzitos, formando as marmitas de gigante. Depois, avança ao longo de 4 km pelo vale encaixado da corredora. Ao constituir um obstáculo natural à progressão para montante dos peixes migradores que sobem o rio para desovar, o pego torna-se uma armadilha natural para a ictiofauna (sável, lampreia).

Aliada à interpretação geomorfológica do local, esta acção procura, num percurso interpretativo, encontrar vestígios milenares da presença humana gravados na rocha e crustáceos contemporâneos dos dinossauros. Nas margens do vale antigo do rio, encontramos os segmentos de habitat menos tocados do Parque Natural do Vale do Guadiana: o Matagal mediterrânico. Percorrendo uma paisagem de certo modo única, vão ser observados vestígios de cheias antigas (o Guadiana é célebre pelas suas cheias apocalípticas) e, no céu, as espécies de aves emblemáticas da área protegida: cegonha-preta, águia-real e águia-de-bonelli.